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Evitando a biópsia de pulmão desnecessária

  • Foto do escritor: Felipe Shoiti
    Felipe Shoiti
  • 6 de nov. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 7 de out. de 2022

A prática da medicina moderna em casos complexos é um grande quebra-cabeça, em que cada exame representa uma peça, e cada opinião de um especialista auxilia o médico titular responsável pelo paciente a montar o diagnóstico e o tratamento mais adequado.


Um dos grandes “provérbios” na medicina diz que é preciso meses para aprender a fazer um procedimento, anos para saber quando é preciso fazê-lo e décadas para saber quando não se deve fazer.


O tempo, na vida e na profissão, nos ensina a domar a ânsia que se esconde em todo o médico: a vontade de ajudar, de fazer algo pelo paciente. Às vezes, não fazer nada é o melhor a ser feito.


Decidir quando não fazer um determinado procedimento diagnóstico e, principalmente, terapêutico, envolve muito conhecimento, experiência e porque não dizer, feeling, aquela voz da consciência que o aconselha, que reconhece um padrão que nem você mesmo identifica.


Muito do que a radiologia intervencionista faz é baseado, em primeiro lugar, em um bom diagnóstico. Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras...faz muito sentido no nosso dia-a-dia.


Em muitas situações, o radiologista intervencionista utiliza seu conhecimento sobre exames de imagem para ratificar hipóteses, apontar diagnósticos não aventados e inclusive evitar procedimentos mórbidos desnecessários.




Por exemplo, em um caso com um paciente masculino, tabagista apresentando nódulo de 3,2 cm no lobo superior do pulmão esquerdo descoberto em radiografia de tórax foi encaminhado para a Radiologia intervencionista com pedido de biópsia do nódulo pulmonar. Porém, a morfologia muito regular e a relação do nódulo com estruturas vasculares adjacentes, gerou cautela e interesse pela exclusão de diagnósticos diferenciais importantes, que poderiam proscrever o procedimento. Optou-se pela injeção de contraste endovenoso. O exame evidenciou que se tratava de um aneurisma e não um nódulo.


A realização do diagnóstico correto não só evitou uma biópsia desnecessária, evitou uma iatrogenia gave, cujo potencial de óbito seria quase certo. Além disso, ao se fazer o diagnóstico correto, o paciente ganhou duas oportunidade: a de tratar o aneurisma e a de investigar a causa real de sua queixa.


Todo radiologista intervencionista lembra-se muito bem dos casos em que teve grande êxito em um tratamento difícil. Como pseudo goleiro de horas vagas que sou, costumo pensar que um gol evitado, também é um gol feito.

 
 
 

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